TIE-Brasil
17/11/2017
Cadastre-se | Esqueci a senha!
Nome: Senha:

Notícias(Abril/2011)

(clique para ver todas)

Gilberto Carvalho diz que, ao contrário dos partidos, movimentos sociais amadureceram
Por Luciana Lima e Ivanir José Bortot, Repórteres da Agência Brasil

Brasília - Responsável por estabelecer a proximidade do governo de Dilma Rousseff com os movimentos sociais, o ministro Gilberto Carvalho, chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, disse que os movimentos sociais acabam compreendendo mais as demandas do país do que os próprios partidos políticos. Para o ministro, os movimentos amadureceram no Brasil nas últimas décadas e, ao contrário dos partidos políticos, investiram da formação de seus quadros. Carvalho defendeu a necessidade de uma reforma eleitoral no Brasil e apontou o voto em lista e o financiamento público de campanha como forma de mudar a atual realidade, que na sua avaliação induz à corrupção.

Confira mais um trecho da entrevista de Gilberto Carvalho à Agência Brasil.

Agência Brasil - O governo tem limitações para atender às demandas do movimento social por questões orçamentárias. Como administrar esse conflito?

Gilberto Carvalho - Essa tensão é inevitável. Eu brinco com eles dizendo que nós estamos sentados agora nesse lado da mesa, antes, estávamos no outro lado com eles, o que faz com que todos nós, oriundos do movimento social, esperemos de novo estar sentados do outro lado. Nosso destino é voltar para os movimentos sociais. Nosso papel aqui é tentar forçar a barra ao máximo dentro das limitações orçamentárias e institucionais para atender a essas demandas. Quando se faz o Orçamento, é preciso levar em conta esses aspectos. Aí é que está o jogo de governar, que é passar em grande parte pela sua filosofia, e por aquilo que se estabelece como prioridade.

ABr - E qual é a prioridade do governo?

Carvalho - Quando a presidenta escolhe como prioridade a superação da miséria, ela está dando um indicativo de que parte importante do Orçamento irá para esse destino. Isso, do ponto de vista ético, para nós todos que temos uma história política, é muito confortável. É também muito estimulante participar de um governo que estabelece essa prioridade. Há que se pensar em reproduzir, em espelhar no Orçamento essa opção. É claro que o Orçamento não é infinito e há gastos correntes que não se pode deixar de pagar. Mas tem que se reservar de fato um quinhão importante para isso. Isso não significa que vamos atender a todas as demandas, mas significa que muitas das demandas podem ser atendidas e, com isso, estabelecer pelo menos um compromisso, uma percepção da parte do movimento de que o governo tem a famosa vontade política de contribuir.

ABr - O senhor já observou essa compreensão?

Carvalho - O movimento amadureceu muito. Eu fiquei emocionado esses dias quando o pessoal da Fetraf [Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar] veio trazer uma pauta para a gente, o discurso da Elisângela [Elisângela Araújo, presidenta da Fetraf], companheira que hoje representa a Fetraf, que é um dos movimentos do campo de maior expressão. É um discurso que deixa emocionado de ver a maturidade. Eles não vieram reivindicar apenas terra, conforto nos assentamentos. São pautas muito mais amplas que dizem respeito, por exemplo, ao direito da mulher, à questão da criança, dizem respeito fortemente à questão ambiental. Enfim, a cidadania foi apropriada em grande parte, de forma muito intensa pelo movimento social. Isso é o resultado desse novo processo que a gente vive no Brasil, de amadurecimento dos movimentos. Acho isso muito bom. Isso facilita o diálogo. Eles passam a compreender também melhor.

ABr - Em que outros momentos o senhor conseguiu enxergar esse amadurecimento?

Carvalho - A conversa que o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) teve com a presidenta foi extraordinária. Eles vieram discutir como podem ajudar no programa de alfabetização e no programa de reflorestamento do país, coisa que há 20 anos a gente, que é de movimento [social], sabe que não era assim.

ABr- O senhor diria que os movimentos se tornaram, por excelência, fóruns importantes de discussão dos mais variados assuntos ligados à cidadania?

Carvalho - Os movimentos fizeram uma coisa que os partidos não fazem. Eles qualificaram e seguem qualificando seus quadros. O MST tem uma escola que já funciona há muito tempo. Eles tomaram esse cuidado. A própria militância é um grande ensino. O velho método do bom Paulo Freire diz que se reflete a prática. Cada luta que se trava, se amadurece na cabeça. Os movimentos se tornaram verdadeiras escolas de cidadania. Ao se falar hoje em consciência ambiental, por exemplo, podemos considerar que, se Juscelino fosse construir Brasília hoje, não construiria, porque o pessoal não iria deixar passar máquina nesse Cerrado. É um amadurecimento benéfico do conjunto da sociedade.

ABr - O senhor comparou os movimentos sociais com os partidos. Fale um pouco mais sobre isso.

Carvalho - O que eu acho em relação aos partidos é que eles não cuidaram da formação de seus quadros da mesma forma que os movimentos fizeram. Isso é grave, mais do que grave, é gravíssimo. Nós temos uma estrutura política e eleitoral que é quase uma indução à perda de teor ideológico e político. Ela é uma indução, eu diria, até à corrupção, se nós falarmos da eleição. Qualquer cidadão hoje para ser candidato precisa de recursos para ser eleito. Onde é que ele busca esses recursos? Eu fui candidato em 1986 e ganhava três salários mínimos. Naquele tempo, a gente mantinha esquema de que dá para ser candidato com festinha, com lista entre amigos, com bingo, deitava e rolava de se trabalhar nessas coisas e se conseguia. Hoje, não, a campanha ficou cara. Eu fico pensando que às vezes se joga a pessoa nesse meio sem que haja uma preparação.

ABr - Era diferente em outros tempos?

Carvalho - Eu tenho a impressão de que o enfrentamento à ditadura e aos governos neoliberais nos deram teor ideológico e nos fizeram mais resistentes a essas chamadas, entre aspas, tentações. Acho muito perigoso pegar um jovem hoje e colocá-lo em um partido, sem que haja uma preparação, o risco de ser cooptado por essa mentalidade é enorme. Não adianta a gente, hipocritamente, ficar condenando uma pessoa dessa, se a gente não a preparou.

ABr - O senhor acha, então. que os movimentos conseguem compreender melhor as demandas do país que os partidos?

Carvalho - Não quero fazer aqui uma dicotomia simplista. Tem muita gente nos partidos que tem essa visão generosa. Graças a Deus, temos ótimas referências. Mas, em termos de tendência, é exatamente isso. Os militantes dos movimentos são levados a uma visão mais generosa, porque é uma visão mais coletiva nos movimentos. Não se é induzido a uma carreira mais pessoal. A questão do poder não é visualizada de uma maneira tão pessoal. Nesse sentido, sim, dá para dizer que hoje os movimentos são laboratórios de gente de maior generosidade, de maior ação cidadã, no sentido mais amplo, do que nos partidos. Dadas as regras atuais.

ABr - O que é preciso fazer para mudar isso?

Carvalho - Pode ser diferente. Se, por exemplo, na reforma política a gente fizer um processo de eleição por lista e com financiamento público, vai se fazer uma indução ao contrário, uma indução ao coletivo. O sujeito, para ser candidato, terá que ter militância em partidos sérios. Em partidos picaretas, haverá pessoas que vão comprar lugar na lista também, não vamos ser anjos aqui, mas pelo menos, permite aos partidos que são sérios trabalhar internamente de tal maneira que o sujeito, para ter o lugar dele na lista, vai ter que trabalhar na militância, vai ter que ter base. Na regra atual, cada vez mais, se vai induzindo para serem eleitos os que têm mais alcance de mobilização financeira, o que é muito grave.

ABr - O senhor acredita que o financiamento público de campanha seria o antídoto contra práticas como o caixa 2?

Carvalho - É o antídoto. Não vamos ser ingênuos, pois sempre pode se ter abuso, mas pode também se ter uma fiscalização muito mais fácil. Primeiro, a pessoa não vai fazer campanha para ele e sim para a chapa dele. Isso já muda completamente a lógica. Se o teu partido tiver mais votos, você terá mais chances de ser eleito, portanto você vai fazer campanha pelo seu partido e o financiamento será coletivo também e não individualizado. Eu acho isso muito importante para dar um choque na atual mentalidade.

Fonte: Agência Brasil
Enviada por CartaCapital, às 11:48 22/04/2011, de via Twitter


O menino da devassa evita a derrama que fez Tiradentes perder a cabeça!
Em 1792, na data de 21 de abril era enforcado o dentista, tropeiro, minerador, comerciante, militar e ativista político Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, mártir da Inconfidência Mineira e Herói Nacional.

Conta-se que cansados dos altos impostos, dos demandos da coroa portuguesa e, principalmente, da marginalização da elite local, alguns senhores da sociedade mineira se uniram em torno de ideais republicanos e independentistas em relação à coroa portuguesa.

O movimento teria início com uma insurreição no dia da derrama, uma medida administrativa que permitia a cobrança forçada de impostos atrasados, mesmo que preciso fosse confiscar todo o dinheiro e bens do devedor, o que afetava diretamente o bolso das elites locais. Eram dívidas com o fisco acumuladas desde 1762!

Ao tomar conhecimento da conspiração, graças a delatores infiltrados no movimento insurreicionista, o Visconde Barbacena, governador de Minas, suspendeu a derrama em 14 de março, esvaziando o movimento, e enviou Silvério dos Reis ao Rio para apresentar-se ao vice-rei, que imediatamente abriu uma investigação (devassa).

Duzentos e dezenove anos depois um outro ilustre mineiro, menino de várias profissões e capacidades, se dá bem com a devassa e evita a derrama. De caneco cheio, sai pelas ruas do Rio de Janeiro e, parado à direção da cavalaria de um jipão anglo-indiano, nem preso é.

Mineiros, Rio de Janeiro, derramas, devassas e traições, unem séculos da história nacional.

Ah! se Tiradentes tivesse organizado a tchurma para tomar outras medidas, teria evitado a derrama e não teria perdido o pescoço!
Enviada por Sérgio Bertoni, às 17:52 21/04/2011, de Curitiba, PR


Governo Kassab censura site de vereador do PT
Os sites dos demais vereadores da Câmara Municipal não foram bloqueados

Por Imprensa vereador Carlos Neder
A gestão do prefeito Gilberto Kassab censurou o site do vereador petista Carlos Neder. Desde a tarde desta quarta-feira (13), servidores públicos municipais não conseguem acessar a página eletrônica do vereador (www.carlosneder.com.br) a partir de computadores instalados nas dependências da Prefeitura.

Ao tentar acessar o site surge na tela uma mensagem que informa o bloqueio do endereço com base na Lei Municipal 14.098/2005, que veda o acesso a endereços que veiculam conteúdo considerado impróprio (sexo, drogas, pedofilia, pornografia, etc).

O sites dos demais vereadores da Câmara Municipal não foram bloqueados.

A censura ao site do vereador ocorreu aconteceu num momento em que Neder vem fazendo diversas investigações relacionadas ao fechamento do Hospital Sorocabana. Aconteceu logo após o vereador ter participado de audiência pública na qual foi constatado por ele que pelo menos 42% do orçamento da saúde na cidade estão comprometidos com a iniciativa privada, por meio de contratos de gestão e de outras modalidades de contratos e convênios.

O vereador Carlos Neder denunciou na tribuna a tentativa de esconder da opinião pública o trabalho sério de investigação que vem sendo realizado pela Câmara Municipal para ser aprofundada mediante a aprovação de uma CPI que ele propôs.

Neder está tomando providências junto à Mesa Diretora da Câmara Municipal de São Paulo, a liderança do governo na Câmara e ao Executivo para saber de quem partiu a decisão de censurar seu site, enquanto os sites dos demais vereadores permanecem acessíveis. A partir dessas informações, pretende tomar as medidas judiciais cabíveis.
Enviada por Nelba Nycz, às 21:25 18/04/2011, de Curitiba, PR


Avisa o Fernando Rodrigues: a CUT vai usar o dinheiro do imposto para acabar com o imposto
Do Blog do Artur Henrique

O jornalista da Folha, através de seu blog hospedado no UOL, conta que cinco centrais “se unem contra a CUT no 1º de Maio”.

E aí diz que as outras centrais querem “excluir a CUT, que é ligada ao PT e tem contato direto com o Planalto –seu vice-presidente, José Lopez Feijóo, foi recentemente nomeado assessor da Secretaria-Geral da Presidência” (frase do jornalista).

Parece uma tentativa de induzir o leitor a acreditar que a briga tem a ver com espaço no Planalto e, quem sabe, fazer alguém concluir que haverá rompimento das outras centrais com o governo Dilma, em breve.

Depois de desenhar esse raciocínio velado, o jornalista traz a relação de quanto cada central recebeu de imposto sindical este ano. “Esquece” de dizer que a Fiesp, a CNI e tantas outras entidades patronais recebem parte significativa do imposto sindical. Por que essa mania de jornalistas “esquecerem” de dizer que essas entidades patronais recebem imposto desde que a estrutura sindical varguista foi erigida? Talvez porque, como empresários, têm direito por serem ricos? Ou porque são anunciantes?

Por falar em anunciantes, o jornalista esquece de dizer que a principal divergência que emerge deste 1º de Maio é o fato de a CUT ter decidido levar adiante, sozinha, uma campanha pelo fim do imposto.

A CUT sempre foi contra o imposto e defendeu essa bandeira sozinha. Em 2008, aproveitando o reconhecimento legal das centrais, convenceu as demais a assinarem acordo público pelo fim do imposto. Mas, apesar de terem assinado, as outras não sustentaram o que a tinta deixou sobre o papel.

A tentativa de acordo, portanto, não deu certo e agora vamos novamente sós. Sós até que a ideia do fim do imposto seja de conhecimento da maioria da população – algo que não aconteceria, se dependesse apenas de certo blogs e jornais.

Por isso mesmo, em nosso 1º de Maio, vamos lançar uma campanha publicitária (jornal, TV, rádio, revista) defendendo o fim do imposto.

De onde virá o dinheiro para essa campanha publicitária pelo fim do imposto? Dos recursos que recebemos do imposto.
Enviada por Vera Armstrong, às 20:33 18/04/2011, de Curitiba, PR


Metalúrgicos de Camaçari criam Blog
No último final de semana TIE-Brasil e o Sindicato dos Metalúrgicos de Camaçari realizaram o seminário de formação continua "Sindicalismo Classista", onde se discutiu a origem dos sindicatos, corporativismo, sindicato classista, tática e estratégia, democracai no Trabalho e desafios do movimento sindical.

No início da atividade, o coordenador de TIE-Brasil e blogueiro Sérgio Bertoni, fez um pequeno relato sobre os encontros estaduais de blogueiros que estão acontecendo pelo Brasil, notando que não se tinham notícias sobre a organização de semelhante atividade no Estado da Bahia.

Segundo Bertoni, "o maior estado do Nordeste e um dos mais importantes do país não pode ficar de fora desta luta pela Democratização das Comunicações" e sugeriu que os blogueiros baianos, a exemplo dos companheiros de SP, PR, MT, RS, RN, CE, etc, pensassem em organizar um encontro juntando os vários movimentos que atuam em defesa da Liberdade de Expressão e pela Democratização das Comunicações, desde blogs sindicais até o moivmento em defesa da Banda Larga e o pessoal do Software Livre.

Os Metalúrgicos de Camaçari criaram seu blog visando agilizar e democratizar a comunicação sindical. E começaram a discutir a possiblidade de, pelo menos, participar do Encontro Nacional em junho, desde que o mesmo não se realize no final de semana da Festa de São João, festa muito popular no Nordeste do Brasil.

Quem quiser conhecer o Blog dos Metalúrgicos de Camaçari clique em http://metalurgicosdecamacari.blogspot.com/
Enviada por TIE-Brasil, às 16:04 18/04/2011, de Camaçari, BA


Sindicato denuncia demissão em massa Complexo Ford.
Sindicato denuncia demissões em massa em Camaçari

O Sindicato dos Metalúrgicos de Camaçari vem a público repudiar as demissões em massa que ocorreram esta semana em empresas do Complexo Ford. Vários funcionários foram demitidos ao mesmo tempo, no período em que se fala de perspectiva de crescimento do setor automotivo, o que, pela lógica, estaria gerando aumento de mão de obra.

Atualmente existe muita reclamação dos trabalhadores do complexo referente à sobrecarga de trabalho e assédio moral por parte das lideranças. “Estamos muito inseguros, pois não sabemos o que será do amanha”, afirma um dos trabalhadores do Complexo.

Os desligamentos estão ocorrendo em todos os turnos e setores. O Sindicato dos Metalúrgicos de Camaçari repudia todo e qualquer tipo de demissão sem justificativa. Na empresa Lear, comenta-se a saída do setor de costura que tem cerca de 80 funcionários, divididos em dois turnos, sobre o pretexto de contensão de despesas.

já que ao tirar estes funcionários de dentro do complexo deixariam de receber a PLR e os salários praticados dentro do Complexo Ford, deixando os trabalhadores inseguros. “E o que é mais preocupante: as empresas demitem e, em contrapartida, convocam os trabalhadores para fazer hora extra, aumentando ainda mais a carga de trabalho – e os lucros das empresas. Isso é um absurdo”, afirma um dos diretores do sindicato. O órgão recebeu denúncias de demissão em massa ocorrendo nas empresas Lear, Ford, Voith, ABB, dentre outras.

Fonte: Sindicato dos Metalúrgico
Enviada por Sitim Camaçari, às 15:59 17/04/2011, de Camaçari, BA


Carta do I Encontro Estadual dos Blogueiros Progressistas do Paraná
Clique aqui para ampliar
Publicado orignalmente em Paraná Blogs

Ao cumprirem-se 47 anos do golpe militar que implantou a mais longa ditadura política da América Latina e o mais longo período de censura à imprensa e às liberdades democráticas no Brasil, nosso país passa por um momento singular na história da comunicação social e da própria sociedade. Como em tempos não muito remotos, a evolução técnica – ‘a descoberta da imprensa’ – exige que a sociedade reformule sua estrutura.

A comunicação social tem estreita relação com a estrutura de poder.

Isso fica meridianamente claro quando o documentário “Um dia que durou 21 anos” dirigido por Camilo Tavares, mostra com base em documentos e testemunhos, a forma como a chamada “grande imprensa” e o embaixador dos Estados Unidos da América, Lincoln Gordon foram a liderança “de facto” não só do golpe de primeiro de abril de 1964, mas do próprio governo golpista.

Uma realidade caracterizada pela excessiva e flagrante concentração dos meios em mãos de poucas e enormes empresas, mas de caráter quase familiares, ligadas por uma extensa rede de dependência econômica e financeira com grupos e governo de uma potencia estrangeira, denuncia o caráter anti-democrático e anti-nacional do enorme poder de fato exercido por estas empresas.

O exercício pleno da liberdade de expressão e comunicação, até agora exercido apenas por uma estrutura oligárquica de propriedade dos meios, ganha impulso novo com a estrutura descentralizada e participativa proporcionada pelas redes digitais.

O fato de um cidadão comum ser agente de comunicação, publicando sua visão de mundo quase sem intermediários, de maneira relativamente fácil e rica em recursos, inaugura um paradigma oposto ao que permanece vigente e hegemônico no momento.

A realidade social brasileira está completamente imersa nesse contexto. Em algum tempo, a maioria dos brasileiros se deu conta da grande lacuna existente entre a informação transmitida pelos meios tradicionais hegemônicos e a realidade que se observa ao redor.

De forma imprescindível, a comunicação independente alcançou círculos sociais maiores, de forma a oferecer o contraditório ausente na mídia corporativa e tradicional, comprometida com uma mesma e ultrapassada visão unilateral e imperial do mundo e baseada na propriedade exclusiva de pesadas estruturas de impressão, difusão e produção das informações.

A formação gradual de uma rede anti-hegemônica, em favor da comunicação social efetiva e não exclusivamente de interesses empresariais, foi conseqüência natural não só da evolução técnica mas também política da sociedade.

É como resultado dessa evolução que se dá o Primeiro Encontro dos Blogueiros Progressistas do Paraná, como desdobramento do Primeiro Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas.

Mas, o que significa ser um blogueiro progressista? Qual a distinção que se faz do restante da comunidade blogueira?

O blogueiro progressista tem noção do seu papel inovador e (por que não dizer?), revolucionário diante da estrutura oligárquica de concentração dos meios de comunicação, que priva o cidadão comum da informação objetiva e necessária para a sua vida e visão de mundo.

O blogueiro progressista é contra a ditadura midiática, a favor da justiça social, da democratização da comunicação e da liberdade de expressão.

Neste sentido, o nosso movimento tem um caráter efetivamente plural, amplo, contemplando toda a diversidade dos meios, ferramentas e veículos que operam na rede mundial de computadores.

A blogosfera progressista se articula não apenas pela Internet, mas também em eventos e atos públicos, via campanhas unitárias, plataformas unificadoras, coordenando as suas ações por um novo marco regulatório dos meios de comunicação e por um Brasil mais democrático e justo.

É buscando superar as limitações empresariais e ideológicas em que estão circunscritos os meios estabelecidos que o blogueiro progressista contribui para a evolução social, oferecendo à sociedade a informação necessária para melhor tomar suas decisões.

Os blogueiros progressistas do Paraná somam-se a esse movimento nacional a favor do efetivo direito de informação e comunicação de todos os brasileiros, como condição essencial de cidadania.

Para garantir esse direito reivindicamos o acesso popular aos meios, em todas as suas modalidades, de forma especial, o acesso universal à rede mundial de computadores (Internet), pela implementação do Plano Nacional de Banda Larga público.

Além disso, denunciamos o abuso de donos de jornais, rádios e emissoras de TV, chefes de redação e autoridades contra o livre direito de informar, através de constrangimentos jurídicos, intimidações verbais e até físicas que vem sofrendo diversos comunicadores independentes no Brasil e, especificamente no Paraná, na pessoa de nosso companheiro jornalista e blogueiro Esmael Morais.

Afinal, o parágrafo 2º do artigo 220 da Constituição Federal determina que é vedada toda e qualquer censura de natureza política, ideológica e artística, sem limitar-se essa proibição aos governos mas também aos meios privados de comunicação. Mas mesmo assim, ainda hoje, em pleno regime democrático e sob o estado de direito, são infelizmente ainda muitos aqueles que, dentro das empresas privadas de informação vetam, editam e distorcem matérias e reportagens elaboradas por profissionais do jornalismo para adaptá-las ao jogo político de poder no qual seus donos teimam em querer ser sempre os maiores vencedores.

Finalmente, conclamamos todas as pessoas a defenderem a comunicação livre e popular como um direito básico e fundamental de cidadania, condição essencial para que se estabeleça uma sociedade justa e livre.

Curitiba, 10 de abril de 2011.
Enviada por Paraná Blogs, às 20:19 10/04/2011, de via Twitter


A despolitização da Vale
Por Luis Nassif

Ao contrário do que foi apregoado exaustivamente pela mídia nos últimos meses, a indicação de Murilo Ferreira para presidente da Vale é o início da despolitização partidária da companhia.

Há tempos Roger Agnelli, tendo como braço político a executiva Carla Grasso, transformara a empresa em um projeto político pessoal. Montado no enorme poder da companhia, cooptou parlamentares, lobistas, jornais e jornalistas tentando se apresentar como a alternativa do setor privado ao próprio presidente da República. Um deslumbrado, sem visão política, sem noção do papel estratégico das multinacionais para com o país.

Não dava satisfações ao Conselho, nem à Bradespar, nem procurava se alinhar com estratégias de país. Não se deu conta de que uma empresa do tamanho da Vale é um ativo nacional, merece ser defendida pelo país em todos os fóruns internacionais, merece apoio em todas as decisões de investimento. É quase uma extensão do poder de Estado – no sentido de alinhamento estratégico, diplomático, não de ingerência na gestão. Se não se alinha com a visão estratégica de país, dança.

Embora estivesse à frente da maior companhia industrial privada brasileira, Agnelli era um CEO de mercado apenas, competente na sua função, mas limitado na sua visão de empresa – ainda mais conduzindo uma locomotiva como a Vale.
Enviada por Luis Nassif, às 11:58 06/04/2011, de via Twitter


EXCLUSIVO: Por que os trabalhadores da Volks de Kaluga recusaram as tortinhas gratuitas?
Trabalhadores na Volkswagen em Kaluga, Rússia, rejeitam merenda cala-boca e exigem sua participação no "latifúndio" de lucros da transnacional germânica

Isso você lê só aqui

Por Alexei Sobatchkin

Aconteceu uma coisa engraçada na fábrica da Volks, faz pouco tempo. Por outro lado a coisa também foi triste. A administração da empresa colocou um anúncio nas sessões, dizendo que por ter superado as metas de produção, os trabalhadores seriam premiados com um docinho e uma lata de refrigerante, gratuitos!!!

Sobre o que aconteceu em seguida nos conta Denis Volodin, soldador da produção de carrocerias:

Dеnis Volodin: Reuni o pessoal da produção de carrocerias e perguntei a opinião deles, o que vamos fazer? Não vou repetir os palavrões que eles falaram ao referir-se ao assunto, resumindo de forma leve – o que é que administração está pensando, não queremos esmola? 2.30 Na hora do almoço recebemos, cada um, uma caixinha com 4 docinhos e uma lata de Coca. Depois do trabalho o povo se reuniu. Foram umas 50-70 pessoas. Todos subiram ao terceiro andar dos escritórios e deixaram todas essas coisas na antessala da direção, na mesa, nas cadeiras, nas poltronas. O povo veio sem falar uma palavra, colocou as coisas e foi embora.

Alexei Sobatchkin: De acordo com os cálculos feitos pelos trabalhadores, o fato de a meta de produção ter sido superada fez com que a empresa ganhasse alguns milhões de rublos de lucro extra, por isso o prêmio na forma de docinhos foi vista como humilhação. Este protesto estava prestes a tornar-se uma greve.

Os trabalhadores da Volks não estão satisfeitos com o salário e as condições de trabalho duras. A palavra é do sindicalista do chão de fábrica, controlador de qualidade de produtos Dmitriy Trudovoy:

Dmitriy Trudovoy: Nós, os trabalhadores da fábrica, não estamos contentes com o nível baixo do nosso salário que não nos permite levar uma vida normal de uma pessoa civilizada. Não estamos contentes também com as condições de trabalho. O salário na Volks é considerado baixo em relação as outras fábricas automotivas estrangeiras. Salário mínimo na Volks é 15.300 rublos (R$ 870,00), dos quais os trabalhadores recebem um pouco mais de 12 mil rublos (R$ 680,00). Os soldadores e os ferramenteiros ganham 17-18 mil líquidos (R$ 966,00/1020,00). Isso não é suficiente. Somos obrigados a levar uma subexistência.

Alexei Sobatchkin: Os trabalhadores estão irritados com o sistema de pagamento de salários que eles consideram injusto, onde 20% do salário é considerado prêmio. Então se recusar fazer horas extras ou executar trabalhos que não estão previstos pelo contrato e pode, perder o prêmio de 20%.

Dmitriy Trudovoy: O sistema de bônus e de prêmios é o meio de opressão e manipulação dos trabalhadores. Usando os prêmios os trabalhadores são forçados a fazer os trabalhos que não estão previstos em contrato e fazer horas extra. Queremos abolir os prêmios, pagamento por hora e introduzir um salário fixo, indexação de acordo com a inflação. E aumentar o salário em 10 %. Para atingir 25,4 mil rublos (R$ 1.450,00). Fizemos pesquisa de opinião entre os trabalhadores – todos estão de acordo entrar em greve.

Аlexei Sobatchkin: A experiência de organização de ações de protesto na fábrica da Volks em Kaluga já existe. No ano de 2009, após a ação de protesto, os trabalhadores ganharam o direito ao intervalo de 5 minutos a cada hora no período de calor intenso. No ano passado os trabalhadores da produção de carrocerias pararam a produção por uma hora, reivindicando aumento salarial. Este ano os soldadores foram obrigados a parar a produção por 20 minutos, pois não tinham uniforme especial e proteção e, em consequência, se queimavam. O Dmitriy Trudivoy conta como foi isso.

Dmitriy Trudovoy: Os soldadores não tinham mangas de proteção e se queimavam por conta disso. Eles chamaram a atenção da administração para este problema durante meio ano. Porém, as providências não eram tomadas. Eles recusaram o trabalho por conta de risco à vida e à saúde. Pararam o trabalho por 20 minutos. A direção os pressionou. Só que no dia seguinte acharam as mangas e eles passaram a trabalhar com as mangas. O problema foi resolvido. Enquanto os trabalhadores não partiram para um ação de protesto, a empresa fez de conta que o problema não existia. As ações coletivas tem êxito.

Аlexei Sobatchkin: A questão de aumento salarial é muito mais importante que a questão do uniforme. As negociações salariais entre o sindicato e a administração da empresa começaram em dezembro do ano passado. Porém, assim que o sindicato ameaçou fazer greve na fábrica e bloquear as revendas em Kaluga e outras cidades, a direção da empresa cedeu. Faz alguns dias que os trabalhadores receberam a informação que a partir 1 de abril o salário na Volks sofrerá um aumento de 4,5%, a partir de setembro mais 5 %, e outros 5% em novembro. O sistema de bônus injusto do ponto de vista dos trabalhadores foi abolido, o prêmio passou a ser parte do salário.
Enviada por MPRA, às 11:35 05/04/2011, de São Peterburgo, Rússia


>>
Próximos eventos

Clique aqui para ver mais notícias.